Barbearia e Botica
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De acordo com os documentos normativos beneditinos o barbeiro deslocava-se ao Mosteiro de 12 em 12 dias para barbear os monges. Desde a véspera desse dia que um caldeirão de água fervia com carqueja na barbearia que, para além de estar equipada com todos os apetrechos necessários ao seu funcionamento, possuía também armários fechados para a roupa. O barbeiro, a quem era pago no século XVII a soldada anual de 70 alqueires de pão meado, 1 marrã de 50 arráteis ou 1.000 reis, 500 reis de sabão e 4 alqueires de trigo como pitança, também fazia sangrias, lançava sanguessugas e tirava dentes.
Em 1797 o espaço da barbearia foi reduzido para, na sua extremidade norte, ser montada uma botica "para o gasto da caza e dos Pobres com manifesta utilidade pela promptidão dos remedios e ainda pela diminuição do Gasto." Para seu serviço, meteu-se um registo de água, puxada da Fonte do Galo, e construiu-se um fogão de pedra, na chaminé. Apetrechou-se com tudo o necessário, desde os utensílios aos potes, mangas e almofarizes até às drogas e ervas medicinais, não esquecendo as publicações especializadas, com relevo para as farmacopeias.
Na botica mandava o monge boticário que, entre os beneditinos, tinha de ser filho legítimo e saber latim. Para poder exercer e desenvolver a sua arte, era-lhe concedido, assim como ao praticante, um estatuto especial, que passava pela isenção de alguns ofícios e atos do coro e por acomodações próprias, que lhes permitiam ter ou gozar de uma maior liberdade para melhor efetuarem o seu trabalho.
Em 1834, a existência da botica no Mosteiro de Tibães e a distribuição gratuita de remédios da botica a todos os enfermos pobres da freguesia foram uma das poucas provas abonatórias e razão, na opinião dos inquiridos, para o não encerramento do Mosteiro. Estas razões não foram suficientemente fortes, o Mosteiro foi encerrado e, quando se procedeu à venda em hasta pública dos seus bens, a botica foi comprada por 26$100 réis, pelo boticário de Barcelos, José Moutinho de Carvalho.


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