Livraria
english version

Foi uma das melhores Livrarias da província de Entre-Douro-e-Minho e uma das mais bem apetrechadas. Pensa-se que em 1834 existiriam cerca de 4.000 títulos, para um total de 10 a 12 mil volumes, cobrindo a teologia, a jurisprudência canónica e civil, a filosofia, a literatura e a história, sobretudo a portuguesa. A maior parte destas espécies seria do século XVIII, mas possuía, também, obras dos séculos XV, XVI e XVII.
No respeitante ao setor dos impressos, em 1798, ano em que Frei Francisco de São Luís elaborou o índex e ordenou cientificamente a Livraria, o seu acervo era composto, segundo o historiador Oliveira Ramos por 3.218 obras com predomínio da Teologia e da História. Quase metade do recheio era composto por livros em latim, constituindo as obras em português, cerca de 32,7% do total.
A existência de obras como os vários dicionários portugueses e estrangeiros; a encyclopedie (35 volumes); a encyclopedie méthodique (132 volumes); as edições da Academia das Bellas Letras; as Memórias da Academia Real; as inúmeras gazetas nacionais e estrangeiras; os exemplares do Investigador Português; as publicações do Instituto Francês, da Academia Real das Ciências de Paris e da Universidade de Coimbra e os trabalhos de famosos autores acádicos, nacionais e estrangeiros, provam a presença do iluminismo nos meios beneditinos e a penetração da ilustração nos seus claustros. Por outro lado, o trabalho de ordenação da Livraria, a criação dos índex, quer dos impressos, quer dos manuscritos; a existência de uma verba própria, fixa em capítulo geral e a compra sistemática de publicações como as gazetas, os jornais e as enciclopédias revelam a existência de uma política de fomento cultural, que passava pelo financiamento, atualização e sistematização e era, ela própria, reflexo do grande dinamismo intelectual da ordem beneditina.
Em maio de 1834 a Comissão Administrativa dos Conventos Abandonados, criada em 1833 para conhecer e recolher todos os bens de valor existentes naqueles locais e entregá-los aos museus e bibliotecas existentes ou em formação, autoriza que Alexandre Herculano, então 2.º bibliotecário da Real Biblioteca Pública do Porto, retirasse de Tibães as espécies bibliográficas que mais lhe interessassem e que João Batista Ribeiro levasse para o Museu Portuense, a ser instalado, na altura, no Convento de Santo António do Porto, a coleção de pinturas e as estampas da Casa das Pinturas do Mosteiro de Tibães. E se dos quadros e estampas ainda hoje conhecemos o rasto, do acervo da livraria perdêmo-lo por completo, porque não só desapareceram, por incúria ou venda, muitos exemplares, como os que foram depositados nas bibliotecas, quer na do Porto, quer na de Braga, são praticamente impossíveis de identificar, dada a falta de listas de depósito.


Desenvolvido por Sistemas do Futuro
Ministério da Cultura IPPAR