Igreja
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Cantar e rezar com a boca era, segundo as Constituições Beneditinas, o principal ato para que Deus elegeu os monges e os tirou do mundo. Faziam-no em oito ofícios divinos que acompanhavam a divisão das horas romanas, que aconteciam de três em três horas, começando com as Matinas e acabando com as Completas, e tinham lugar na Igreja ou no Coro Alto. Mas se havia ofícios caracteristicamente monásticos e fechados à população, havia também os outros atos litúrgicos virados especialmente para os fiéis a quem era necessário convencer e dominar emocionalmente. Assim, servindo a difusão de uma religiosidade triunfante e em harmonia com uma sociedade áulica em formação, os monges de Tibães conceberam, no século XVII, um templo onde a imagem funcionasse como um importante emissor da mensagem religiosa.
A atual Igreja, construída no local da antiga igreja românica, foi erigida entre 1628 e 1661 seguindo ainda a conceção maneirista. Apresenta planta em cruz latina, nave ampla com pesada abóbada de cantaria, três capelas laterais de cada lado e dois altares no transepto. Mas, se num primeiro momento o programa decorativo seguiu a gramática maneirista, ainda visível no retábulo da Capela de Santa Gertrudes, a pouco e pouco a linguagem barroca, nas suas diferentes propostas, o rococó e mesmo o neoclássico irão instalar-se ocupando capelas, retábulos, órgão, púlpitos, sanefas, caixilhos, portas e janelas, grades, bancos e estantes concedendo campo privilegiado de expressão à talha dourada mas não esquecendo e, muito pelo contrário, articulando-a magnificamente com a escultura, onde sobressai o trabalho notável de Frei Cipriano da Cruz, o mobiliário, a ourivesaria e os têxteis.
Foi o trabalho notável de um grupo de arquitetos, entalhadores, escultores e douradores, onde se encontram nomes como Manuel Alvares, Frei João Turriano, António de Andrade, Frei Cipriano da Cruz, Agostinho Marques, António Fernandes Palmeira, André Soares, José Álvares de Araújo, Frei José de Santo António Vilaça, Luís de Sousa, que tornaram a Igreja do Mosteiro de São Martinho de Tibães num dos mais elevados expoentes da arte portuguesa.


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